sexta-feira, 22 de outubro de 2010

TERAPIA: ATO DE FRAGILIDADE OU CORAGEM?

             Interessante observarmos que as crenças que carregamos e conceitos que acreditamos ser corretos sofrem profundas transformações quando nos deixamos “levar” pelo gosto de experimentar, ousar e nos “arriscamos” no processo da psicoterapia..
          Sabe-se que o “desconhecido” amedronta, especialmente quando “suspeitamos” que o “estranho” que ainda está por vir surgirá do nosso interior e hoje convivemos com esse “outro” sem consciência disso!Entretanto, percebemos que os indivíduos que se deixam seduzir pela possibilidade de aprofundar-se em si mesmo e embarcam nessa deliciosa viagem que é conhecer-se e apropriar-se de seus sentimentos, emoções e comportamentos, conquistam uma bagagem cujo valor é inominável!
          Embora saibamos que nossa cultura privilegia o sucesso e nos esforcemos (às vezes compulsivamente) para parecermos exitosos em nossa vida, a condição de humanos não permite que permaneçamos em estado de euforia, assim como de tristeza constantemente, porque não suportaríamos! O stress provocado pela euforia invariável ou tristeza permanente, nos adoeceria dramaticamente, se houvesse uma linearidade em qualquer dos dois estados!
             Existe uma tendência a negligenciarmos nossas emoções e sentimentos, sob pena de parecermos desajustados aos olhos daqueles que nos rodeiam. Então “estocamos” anos e anos de emoções reprimidas, entendimentos de fatos, completamente equivocados e inadequados, sem perceber que, com isso estamos adoecendo, às vezes de forma sutil, mas ainda assim, adoecendo...
           No senso comum, encontramos a falsa crença de que quem faz terapia se “expõe”, se fragiliza e isso pode nos tornar humanos menos capazes de suportar os eventos da vida...ou isso nos tornaria simplesmente mais humanos e portanto, mais honestos com a nossa condição, às vezes frágil, às vezes forte,mas absolutamente coerentes com a nossa condição...de humanos?!
           A vida e o estar vivo é exatamente isso... tornar-se consciente de nossa natureza, experimentar a dualidade de todas as coisas...inclusive das nossas emoções que sofrem variações conforme as experiências que passamos! Aceitemos nossa condição e nos permitamos viver e conviver com a polaridade dos sentimentos, dos acontecimentos, sem medo de perder o “controle” das situações!
           Bem pior do que nunca ter fracassado é jamais ter sabido quem se é...bem pior do que acreditar que cuidar-se é  falhar, é jamais ter tido coragem de olhar para dentro de si...Vemos, com freqüência, em situações dolorosas, como um velório, por exemplo, pessoas sugerindo àqueles que sofrem pelo ente querido que se foi, que tomem um copo d’água, comprimidos, um banho em casa, acreditando que estamos sendo generosos...e talvez com essa verdadeira intenção, mas na verdade, estamos tentando afastar de nosso olhar a angustiante cena da dor, do choro incontido, do sofrimento que nos toca profundamente, porque a emoção do outro inquieta, desorganiza! Porque mexe com a nossa emoção.
 O choro, às vezes a tristeza, a dor, são absolutamente necessárias ao nosso desenvolvimento e, ao contrário do que possa parecer, alivia e conforta...também ao contrário do que possa parecer, para fazer terapia são necessários duas grandes virtudes...extrema humildade e imensa coragem, afinal...não é todo dia que temos a possibilidade de “nascer” diferentes e, certamente, pessoas mais leves, felizes e bem melhores!!! Coragem!!! Essa é a grande qualidade de quem senta "naquela" cadeirinha e compartilha sua história...coragem, não fragilidade!!!
           
           

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DO SÁBIO MÁRIO QUINTANA...

Hoje escrevi sobre os relacionamentos, as exigências e atrapalhos que acabam ocorrendo no decorrer desse processo...depois disso fiquei pensando num texto... Há muito conheço um que na época que li, mexeu demais comigo. Eu, que sempre fui avessa as convenções e me coloquei um pouco à margem de tudo o que era "politicamente correto” não sabia explicar muito bem o porquê da minha identificação com este grande cara, mas hoje entendo que seguir uma lógica "pronta" sem o questionamento do impacto disso em mim é inadmissível...então...aí está...um pouco do que poderia começar diferente, para que terminasse também diferente...do nosso gaúcho Mário Quintana

Sermão de casamento
Em maio de 98, escrevi um texto em que afirmava que achava bonito o ritual do casamento na igreja, com seus vestidos brancos e tapetes vermelhos, mas que a única coisa que me desagradava era o sermão do padre:

"Promete ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-lhe e respeitando-lhe até que a morte os separe?"
Acho simplista e um pouco fora da realidade. Dou aqui novas sugestões de sermões:
- Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
- Promete saber ser amiga (o) e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
- Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
- Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e, portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
- Promete se deixar conhecer?
- Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
- Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?
- Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
- Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
- Promete que será tão você mesmo quanto era minutos antes de entrar na igreja?
Sendo assim, declaro-os muito mais que marido e mulher: declaro-os maduros.
Escolha o seu amor. Ame a sua escolha!
Mário Quintana

O AMOR NOSSO DE CADA DIA...

       
            Passamos a vida sonhando com o príncipe que nos seduzirá pelo resto dos nossos dias! Idealizamos o par perfeito e nesta caminhada, vamos “descartando” as peças improváveis que não se encaixam no nosso quebra-cabeças.
       Quando nos sentimos preparados para a vida a dois, casamos, vamos morar juntos, concretizando o tão esperado sonho...constituir uma família, ao lado de um homem/mulher, ao qual prometemos coisas muito sérias, sem ter a menor noção do que isso significará pelo resto dos dias que viveremos ao seu lado!
        Começa então a construção de um novo papel, que exige uma conduta associada a este papel...malabarismos para equilibrar gostos e gastos, maneiras de ver e sentir a vida, administração das coisas do dia-a-dia, da educação dos filhos, quando estes chegam, etc.
       A característica fundamental deste convívio deve ser a flexibilidade e a humildade em reconhecer o espaço do outro e a hora de recuar e respeitar, assim como fazer-se respeitar, tudo isso sem que a vida a dois não se torne um martírio!
        E nesta convivência onde a parceria e a cumplicidade deveriam ser absolutas, nem sempre a competição cede lugar...então...passamos as horas, os dias ou anos  numa relação que mais parece um jogo de tênis! Os  casais tentam exaustivamente “matar o ponto” e, dessa forma, sentem-se “vitoriosos”, não sei bem em relação a que ou a quem...mas vitoriosos, porque aquele ao qual prometemos coisas muito nobres, há algum tempo atrás, está em desvantagem, perdeu, é o nosso adversário!!!!
       É uma lógica ambígua, pois o companheiro é alguém que se escolhe para caminhar juntos, unir forças, compartilhar idéias, projetos, dores e sabores da vida diária. Entretanto, ao invés de investirmos em nós mesmos, nossos projetos, nosso crescimento e desenvolvimento como pessoas, o que certamente nos tornará mais atraentes e envolventes, desperdiçamos nossa energia na destruição do outro! E o outro é nosso cônjuge!?
        Pior do que viver assim é não ter a exata consciência de quem se é, tanto como pessoa, quanto, como parceiro, e não buscar os caminhos para sua satisfação e felicidades!
       Claudia Raia e Edson Celulari, por exemplo, parecem ter vivido, com tudo que uma relação tem de bom e de ruim, durante duas décadas e tiveram a coragem de serem verdadeiros e leais a si próprios, quando findaram a relação, onde os papéis de marido e mulher se esgotaram. Há quem diga que a relação não deu certo! Como não?! Deu certo, siiiim!!! Durante quase vinte anos! Não daria agora, quando se aperceberam que o vínculo se esgotou...mas pra isso é preciso  correr um certo “risco”  e autenticidade...características que pessoas que se conhecem profundamente conquistam quando o assunto é a busca da sua felicidade...
        O amor da vida adulta consiste, entre tantas outras coisas, em manter essa disponibilidade de compartilhar, crescer juntos, rir das falhas, entregar-se, para o vínculo! Sem utilizar, perversamente, as dificuldades do outro, como arma letal que mata o afeto, o sexo e o futuro...não acreditamos, verdadeiramente, que o príncipe se transforma naquele ser verde, de aparência brilhante  e gosmenta, sem o nosso auxílio, não é mesmo?!           
           
           
           

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

“MANIA” OU COMPULSÃO?!

       O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é um transtorno bastante comum, com prevalência em torno de 2,5% na população, ou seja, uma em cada 40 pessoas apresenta a doença, ao longo da vida. Em geral acomete pessoas jovens, no final da adolescência, sendo comum iniciar na infância. Entre adultos, a incidência é levemente superior em mulheres.É caracterizado pela persistência e recorrência de obsessões (pensamentos, palavras, frases, cenas ou impulsos, considerados impróprios ou inaceitáveis) que invadem a consciência do indivíduo, causando medo e desconforto.
     O indivíduo que experimenta essa condição tenta ignorar, suprimir ou neutralizar as obsessões, através de compulsões ou rituais (atos estereotipados e repetitivos), que em geral ocupam parte significativa do seu tempo, interferindo na rotina diária, em diferentes contextos de sua vida. As obsessões mais comuns são as ligadas à sujeira, contaminação, as de simetria e armazenagem de objetos, assim como os pensamentos de conteúdo mágico, agressivo e sexual. Numa tentativa de neutralizar as obsessões, o indivíduo desenvolve rituais como compulsões por lavagens excessivas, verificações ou repetições (verificar várias vezes se realmente trancou a porta, fechou o gás, a torneira, etc), alinhar e colecionar objetos inúteis, contar, repetir palavras, frases, movimentos, etc.       
     Esses comportamentos têm o objetivo de prevenir, reduzir ou abrandar o desconforto gerado pela idéia obsessiva, por alguma situação temida ou, ainda, aliviar a ansiedade gerada por determinada situação.
     Como os comportamentos compulsivos tendem a ser repetitivos e contínuos, muitas vezes eles acontecem automaticamente, podendo o sujeito reservar um tempo expressivo para tais realizações, comprometendo de forma importante, o trabalho, a vida social, familiar e afetiva.
       Os indivíduos portadores desse transtorno revelam intenso sofrimento, pois sentem angústia e ansiedade na impossibilidade de realizar a atividade compulsiva, desenvolvendo uma “dependência” da efetivação dessas atitudes, como alívio de sua aflição. Em casos mais sérios observa-se prejuízo significativo em diferentes áreas da vida, tais como declínio da qualidade dos relacionamentos afetivos, insuficiente desempenho acadêmico, perda de vínculos sociais e profissionais. Esses danos na vida pessoal e social do sujeito podem ocorrer, entre outras razões, pelo tempo, cada vez maior que a pessoa ocupa fazendo os "rituais", chegando a níveis insustentáveis, quando começam as faltas a escola, trabalho, atrasos nos compromissos, etc.
       O tratamento adequado requer avaliação psiquiátrica, havendo, na maioria dos casos, necessidade de medicação, a fim de minimizar os sintomas, bem como a terapia, visando o treino de novos comportamentos, mais espontâneos e menos estereotipados.              
       Pessoas que possuem na família, pacientes com o transtorno, tendem a se adequar ao que, no senso comum, denominamos “manias”, entretanto nos casos mais severos, essas ações desorganizam a vida familiar e nos distanciam da possibilidade maior, durante nossa existência: ser felizes e mais satisfeitos com quem somos!!!
           

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

QUEM É ESSE NO ESPELHO?!

           Vida de gente grande não é fácil! Mas...quem foi que disse que tem que ser fácil para haver proveito, aprendizado e gosto?! Ouvimos com freqüência a frase “o que é bom custa caro” e penso que essa máxima pode se aplicar também as conquistas imateriais da vida! Porém o custo, neste caso, tem a ver com o tanto de esforço e comprometimento envolvidos no processo de busca daquilo que planejamos obter e ser como pessoas...
        Sem, nem por um momento desmerecer as conquistas materiais, tão gratificantes e necessárias também, discuto aqui as conquistas íntimas, pessoais de cada um...aquelas “aquisições” que nunca mais nos permitirão voltar a ser os mesmos de antes... Após a delícia de ser criança, experimentada na infância e a turbulência vivenciada quando se é adolescente, encaramos a difícil fase do jovem adulto que é tão cobrado! Estás trabalhando? Casado? Tens filhos? Só um menino? Ah, então vão atrás da menina...e por aí vai...incessante listagem de “critérios” que a vida nos impõe e que se não obedecemos a estes padrões, estamos à margem e podemos nos sentir sós...
         Parece que o alívio vem mesmo com a maturidade...tão doce quanto a infância, com sofrimentos, como a adolescência e as mesmas cobranças do jovem adulto, mas com diferentes recursos e instrumentos internos para lidar com as cartas “ruins” que a vida nos apresenta! E isso faz toda a diferença! Ah, se faz...Na maturidade as “gavetas” internas daquele roupeiro bagunçado se acomodam...os valores se consolidam e não tememos ser quem nós somos...se tivermos, claro, consciência de quem somos!!!
        Percebe-se que grande parte das pessoas adota “personagens” no desempenho de seus papéis e em determinados momentos de sua história entram em conflito, pelos “atrapalhos” em que vivem, pela desordem que experimentam ou pela ruína em que transformam suas vidas, pura e simplesmente porque se desconhecem! O processo de autoconhecimento realmente não é fácil, nem simples...requer atitude, persistência, dedicação e principalmente coragem! Temos que estar dispostos a enfrentar nossos “fantasmas” que, embora possam parecer, num primeiro momento assustadores, na verdade não o são tanto assim...pois se nos pertencem, vivem no nosso mundo interno, não podem ser maiores do que nós mesmos!
       Não importa o momento em que nos disponibilizamos a isso...o que importa é que quando decidimos que vamos nos “apresentar” a nós mesmos, é o exato momento em que isso deve ser feito...nem antes, nem depois...é agora! Quando desejamos nos conhecer é que é a hora certa!!! Os caminhos escolhidos para tal são particulares de cada um...tem a ver com suas crenças, com a disponibilidade emocional, financeira,com a influência do meio em que vivemos, etc...não importa se é num centro budista, na biodanza, através de livros e debates, na terapia ou em outras formas que o indivíduo escolher para vivenciar este processo. O que é realmente importante é que o faça! E o faça verdadeiramente...
      Os ganhos são imensos! Deixamos de ser reféns dos nossos sentimentos e emoções, nos apropriamos de nós mesmos, desenvolvemos segurança e originalidade nas nossas atitudes, estabelecemos um parâmetro interno, além de experimentarmos genuína satisfação por conhecer profundamente essa pessoa com a qual convivemos vinte e quatro horas por dia! Nós mesmos!
     Cuide dela, da sua companhia permanente e inseparável, escute sua voz interna, conheça e respeite os seus sentimentos, valorize suas conquistas íntimas e experimente a delícia (e as dores também) de saber quem você é! Não vai passar a vida alheio de si mesmo e tomar um susto ao olhar-se e pensar... Quem é esse no espelho?! Vai?!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

QUEM É SEU AMANTE?!

Hoje, pela manhã, abri os e-mails e lá estava, enviado por uma amiga, o interessante texto, de um colega psicólogo...

A proposta não é fácil, mas é simples...afinal disponibilizamos de absolutamente TODOS os recursos necessários para sermos mais felizes...

Então...para desfrutar e refletir...

Quem é seu amante?!

" Muitas pessoas tem um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não tem, e as que tinham e perderam". Geralmente, são essas últimas que vem ao meu consultório, para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia,apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança. Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!  É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas"?! Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais. Aquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:"AMANTE" é aquilo que nos "apaixona", é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.O nosso "AMANTE "é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e amotivação da vida. Às vezes encontramos o nosso "AMANTE" em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto....Enfim, é "alguém!" ou "algo" que nos faz "namorar a vida" e nos afasta do triste destino de "ir levando"!..E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã*.Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista... DA SUA VIDA!

Acredite: O trágico não é morrer, afinal a morte tem boa memória, e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver... Por isso, e sem mais delongas, procure um amante ...A psicologia após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:

"PARA ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, 
É PRECISO NAMORAR A VIDA!!!"

(Jorge Bucay - Psicólogo)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA

          A Neuropsicologia é a ciência que estuda a relação entre o cérebro e o comportamento humano. Também pode ser descrita como análise sistemática dos distúrbios do comportamento que se seguem a alterações da atividade cerebral normal, causadas por doenças, como Alzheimer, por exemplo, lesões, malformações, etc.
         A Avaliação neuropsicológica (AN) é o exame das funções cognitivas do indivíduo: orientação, atenção, memória visual e verbal, raciocínio, linguagem, capacidade de abstração, entre outras funções. Deve ser feita somente por profissional especializado, exigindo fundamentação consistente da Psicologia, familiaridade com os testes padronizados, para avaliar especificamente aquelas funções mentais, além do conhecimento do sistema nervoso e suas enfermidades.
          A AN poderá ser requerida no declínio cognitivo, quando existem prejuízos de áreas cerebrais com alterações neurológicas (traumatismo craniencefálico, epilepsia, acidente vascular cerebral), na diferenciação entre síndromes psicológicas e neurológicas, como a depressão e a demência, ansiedade e transtornos como TDA/H (Transtorno do Défict de Atenção e Hiperatividade), entre outras demandas. Há também indicação de avaliação em decorrência do uso abusivo de álcool e outras drogas ilícitas, uma vez que o funcionamento neuronal pode sofrer alterações pelo uso de qualquer droga, vindo o indivíduo a sofrer modificações nos processos de pensamento, atenção, sentimentos, emoções, concentração, memória, coordenação motora e nível intelectual.
         O exame neuropsicológico prevê determinado número de sessões (6 a 10) dependendo, sempre, do ritmo que o paciente adota. Essas sessões incluem entrevista de coleta de dados, com pacientes e/ou familiares, testagens e devolução dos resultados. A referida devolução será realizada pelo profissional, com base nos resultados obtidos. Este construirá um laudo (documento pessoal do cliente) com estes dados, onde as orientações quanto à reabilitação das funções prejudicadas estarão presentes, bem como os encaminhamentos a outros profissionais, quando necessários (neurologistas, psiquiatras).
          Através dos resultados da AN pode-se propor uma intervenção ou reabilitação, focada nas funções cognitivas que possuem déficts, e nos distúrbios psicológicos e/ou psiquiátricos, quando houver. O objetivo será oferecer melhor qualidade de vida ao paciente e minimizar os sintomas e o grau de sofrimento deste, assim como dos familiares.
        Importante considerar que, na reabilitação neuropsicológica, sessões de orientação à família ou cuidadores do paciente, são fundamentais. Sempre que este for criança, jovem/adulto com prejuízos significativos ou ainda, idosos que necessitam amparo. Além de auxiliar no sucesso do tratamento, a presença dos cuidadores, imprime a este processo, um sentido de comprometimento com o bem-estar daquele a quem nos responsabilizamos, neste momento. Este fator, sem dúvida é positivo, para apropriada recuperação e possibilidades de uma vida com maior qualidade.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

DIA DO PSICÓLOGO: 27 DE AGOSTO

         Difícil tarefa é escolher uma profissão...dúvidas, pressões externas e, quase sempre a imaturidade presente, na faixa etária em que somos “convidados” a fazer isso...porém quando a profissão que escolhemos é aquela que tem a ver com a nossa “missão” e nos encontramos desempenhando o papel profissional, repletos de amor, então descobrimos: estamos plenos e acertamos integralmente na nossa escolha!!!
        Ser psicóloga, na minha concepção, é isso: acordar e saber que, a cada dia novos desafios chegarão. Mais pessoas trarão seus dramas e suas dores e, nós humildes e respeitosos, nos disponibilizaremos a trilhar juntos esse percurso e encontrar os melhores caminhos...
      Trabalhar com o Psicodrama faz com que essa “tarefa” seja inteiramente realizada, pois é uma teoria que parte do princípio que todo o ser humano tem enorme potencialidade para ser feliz e é com esse núcleo saudável que nos relacionamos a partir de então...trabalha-se com a saúde e não com a doença...identifica-se aspectos insatisfatótrios, mas é com a possbilidade de ressignificar eventos e "fazer diferente" que vamos focar a busca...
       O Psicodrama é chamado por alguns autores de “psicoterapia da relação”. Sabe-se que o desenvolvimento e sucesso do processo terapêutico somente ocorrerá se houver, verdadeiramente, um vínculo, uma relação entre os envolvidos, onde há entrega entre aquelas pessoas que ali estão: o paciente buscando respostas, alívio para suas angústias e o terapeuta disponível afetivamente. O psicólogo valendo-se de técnicas, métodos, conhecimentos e, principalmente, da capacidade que deve ter de se deslocar do “seu lugar” e compreender aquele ser humano a partir de como sente e percebe o mundo. Essa postura consiste, fundamentalmente, em compreender o “fenômeno” como ele se coloca, aqui e agora, e a partir desse momento buscar estratégias para que o cliente possa perceber-se e construir-se mais criativa e espontaneamente no desempenho dos seus papéis.
        A relação terapêutica no Psicodrama pressupõe papéis assimétricos. Há o cuidador e há o que se deixa cuidar, no entanto, a postura do psicodramatista é sempre de humildade e “ingenuidade” em relação àquilo que o paciente lhe trás, pois apesar de possuir o “saber”, o profissional nada será se não tiver a consciência de que o ser humano é único e vive e experimenta sua existência de forma particular... Cada pessoa que busca auxílio profissional, trás consigo um jeito peculiar de ser e estar no mundo e juntos, paciente e terapeuta podem desvendar, conhecer e compreender as relações que o cliente estabelece com a realidade que o circunda e a maneira com que este é atingido e/ou prejudicado por ela.
        O Psicodrama entende que o homem nasce espontâneo e que perde a capacidade de dar respostas adequadas aos eventos da vida, ao longo do desenvolvimento de suas relações (inadequação dos papéis dos cuidadores, abandono afetivo, entre outros). Dessa forma, entende-se, igualmente que, através do desenvolvimento de uma relação sadia entre paciente e terapeuta o sujeito poderá resgatar a “competência” para novamente apresentar respostas apropriadas aos acontecimentos da vida.Essa conquista pode resultar na construção ou fortalecimento de uma identidade mais coerente com o que está buscando ser. O resultado dessa harmonia entre o que se quer ser e o que se faz com a própria vida, pode ter como conseqüência uma pessoa mais inteira nos vínculos que estabelece e, portanto, mais feliz no mundo em que vive.
       Agradeço do lugar mais profundo da minha alma, pela profissão que tenho, pelo crescimento que experimento junto aos meus colegas e, principalmente, junto aqueles que confiaram a mim seus dramas e que permitiram que fizesse parte de suas vidas. São essas pessoas, que confirmam e fortalecem nosso papel, as responsáveis pela possibilidade de comemorarmos, legitimamente, o dia do Psicólogo!